Mongólia

Pelo interior da Mongólia: dia 1 no país dos nómadas

Mongólia dia 1 Mundo Indefinido

Depois de termos ficado com uma primeira impressão sobre a capital da Mongólia, era altura de aproveitar ao máximo o tempo que tínhamos disponível e explorar o resto do país. Após a minha experiência com excursões em Auschwitz, queria evitar agências de turismo a todo o custo. Assim, quando estávamos a planear o transiberiano, considerámos a hipótese de alugar um carro e percorrer, sozinhos, a grande estepe mongol. Ainda bem que não o fizemos.

A verdade é que não havia estradas para a maior parte dos sítios que queríamos conhecer. Ainda podia dizer que são caminhos de terra batida, mas por vezes nem isso existe. Naturalmente, também não existem muitas placas de sinalização rodoviária e, devido ao acidentado do terreno, teríamos de alugar um jipe com GPS ou nunca chegaríamos a lado nenhum. E mesmo assim duvido que chegássemos onde quer que fosse. Acabámos, então, por recorrer ao que eu queria evitar: visitas organizadas.

Como quase todas as opções de alojamento em Ulaanbaatar, o Danista Nomads Tour Hostel (onde ficámos alojados) tem uma vasta gama de visitas organizadas pela Mongólia. Tendo em conta o tempo que tínhamos disponível, escolhemos o circuito 4 days full of adventure. Dividi o relato destes dias maravilhosos em vários artigos, que irão sair aos poucos:

Tudo a postos para irmos descobrir a Mongólia?


Oito pessoas, uma carrinha

Antes de iniciar esta aventura de 4 dias, confesso que o que me causava algum receio eram as pessoas com quem os iríamos passar. No total, íamos ser 8: nós os dois, 4 desconhecidos, um condutor e uma guia. A verdade é que as pessoas com quem estamos têm imensa influência na forma como as viagens correm... Será que íamos passar bons momentos juntos? Ou no final dos 4 dias nunca mais nos quereríamos ver à frente?

Logo na entrada do hostel conhecemos Miro, um rapaz búlgaro a viver na Bélgica. A acompanhá-lo estava a namorada Florence, belga, e de uma boa disposição contagiante. Depois de aguardarmos durante um bocado, chegaram as duas pessoas que faltavam. Eram elas Christine e Tamara, duas alemãs que, antes de visitarem a Mongólia, não se conheciam. Conhecemos também o condutor (do qual, infelizmente, não me lembro do nome) e a guia Sarou. Tudo parecia bem encaminhado. Colocámos as mochilas na bagageira da carrinha russa UAZ e entrámos no veículo. A aventura ia começar.

Palácio de Inverno de Bogd Khan

Apesar de não estar no roteiro para os 4 dias, começámos por visitar o Palácio de Inverno de Bogd Khan. Este espaço encontra-se em Ulaanbaatar, mas é um pouco afastado do centro e não tínhamos conseguido conhecê-lo por conta própria. A Florence e o Miro tinham pedido à guia para que o palácio fosse incluído, e nós não podíamos ter ficado mais encantados.

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Bogd Khan (Богд хаан) foi o primeiro e único imperador da Mongólia após a declaração de independência da dinastia Qing. Foi também o líder espiritual do budismo tibetano na Mongólia. O seu Palácio de Inverno é o único que resta de um conjunto de 4 residências que o imperador possuía.

O complexo, em estilo chinês, foi construído entre 1893 e 1903. Inclui seis templos, cada um deles belissimamente decorados no exterior. No interior, encontram-se muitas das posses de Bogd Khan, como o seu trono, algumas das suas roupas, a sua colecção de arte budista e vários animais embalsamados.

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A viagem atribulada até Elsen Tasarkhai

O destino do nosso primeiro dia era Elsen Tasarkhai, a 280 quilómetros a oeste de Ulaanbaatar. As estradas à saída da capital pareciam estar em boas condições, tudo indicava que seria uma viagem tranquila. Até que ouvimos um som estranho e a carrinha parou. Tínhamos um furo num dos pneus! Saímos todos da carrinha, e o condutor começou a trocar o pneu, mas não estava a ser fácil. Felizmente, uma família nómada que estava a mudar de localização, com todos os seus pertences, parou para ajudar. O pneu foi trocado, e continuámos a viagem.

Passado um pouco, voltámos a parar. Ao início não estava a perceber porquê, mas depois compreendi: tínhamos outro pneu furado. E, claro, o suplente já estava a ser usado. Era altura de irmos a uma oficina. Ou a uma pequena construção em madeira à beira da estrada que, quase por acaso, vende e enche pneus. Pneus novos? Não existem, os que estavam lá eram todos usados. Fez-se a substituição de um dos pneus furados por um pneu usado. No outro pneu, o buraco foi tapado, o pneu foi enchido, e seguimos caminho.

No meio do nada, o condutor saiu da estrada alcatroada e entrou com a carrinha pelo meio de montes de vales. A partir daquele momento, íamos deixar as estradas normais e andar por caminhos não marcados no mapa.

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Elsen Tasarkhai

Sem mais incidentes, a viagem continuou, no meio de altos e baixos, com a carrinha a abanar e a saltar a cada meio metro. Depois de algumas horas aos solavancos, chegámos a Elsen Tasarkhai. Que lugar incrível! A natureza nesta área é absolutamente maravilhosa. Num só local, temos uma combinação única de montanhas, rios, florestas, estepe verdejante e deserto.

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Fomos conhecer a família nómada que por ali estava a passar uma temporada, e que nos iria alojar. Bebemos chá com leite na sua companhia, dentro de um pequeno ger, onde dormiam. Os restantes gers que por lá se encontravam serviam para alojar turistas, como nós. A casa-de-banho era um buraco no chão, protegido por ripas de madeira. Não existia chuveiro nem nada parecido, e é nestas alturas que as toalhitas são as nossas melhores amigas.

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A família tinha alguns animais, incluindo camelos, que são utilizados para grupos organizados passearem durante 1 hora. Apesar da chuva que pingava ligeiramente, fomos andar de camelo. Bem agasalhados, porque a noite aproximava-se e o frio começava a fazer-se sentir. Cada um de nós subiu para um camelo e, em fila, fomos em direcção às dunas. Logo no início assaltou-me a dúvida: será que os camelos estavam confortáveis? Eles não pareciam estar em sofrimento, mas não posso ter a certeza... Apesar disso, andar de camelo foi uma experiência magnífica. É um animal muito interessante, sem dúvida.

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Sarou, a nossa guia e tradutora, preparou-nos o jantar, que comemos dentro no nosso ger partilhado. Fomos para a cama felizes por estarmos no meio de toda aquela beleza natural. Felizes, mas também ansiosos, porque no dia seguinte íamos continuar a explorar a Mongólia.


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